Ana Teresa Alves
Todas as pessoas minimamente atentas aos livros sabem que há vários prémios literários, o mais conhecido dos quais, atrevo-me a dizer, será o Nobel da Literatura, atribuído anualmente pela Academia sediada em Estocolmo. Menos pessoas saberão, contudo, que também há diversos prémios especialmente destinados a obras de não ficção ou que integram essa categoria. Um deles é o PEN/E.O. Wilson Literary Science Writing Award. Criado em 2011, distingue obras na área das ciências físicas ou biológicas, e entre os seus fundadores conta-se o ator Harrisson Ford (esse mesmo, o Indiana Jones). Os outros dois fundadores são o biólogo e naturalista norte-americano Edward O. Wilson (1929-2021) e a E. O. Wilson Biodiversity Foundation, com o seu nome.Em 2025, a obra vencedora, que também venceu o Prémio Pullitzer (na categoria Biografia), foi o magnífico livro Every Living Thing: The Great and Deadly Race to Know All Life, de Jason Roberts, (bem) traduzido para Português, com o título A Invenção da Biologia – Linnaeus, Buffon e todos os seres vivos.Como o título indica, é dedicado à vida, à carreira e ao trabalho de Carl Linnaeus and Georges-Louis de Buffon. Nascidos ambos nascidos em 1707, mas com origens sociais muito diferentes, tinham em comum a obsessão pela classificação dos seres vivos, num tempo em que o termo Ciência não tinha o significado que hoje tem, mas onde já havia, tal como hoje, disputa, rivalidades e aventuras. Para além da vida e das contribuições destes dois homens e daqueles que os rodearam, ficamos ainda a saber como funcionava o ensino nas universidades dos seus países, como o ensino da medicina sempre foi disputado, como se “tratavam” doenças, para as quais não havia, na realidade, tratamento, entre muito outros aspetos. É, a todos os níveis, digno de ser lido.

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