Ana Teresa Alves
O matemático que decifrou códigos e foi o precursor da inteligência artificial.
Das poucas vezes que recorro à Inteligência Artificial para verificar uma mensagem de SMS escrita numa língua estrangeira que envio para algum amigo internacional, pergunto-me (por vício profissional de linguista) se do outro lado se vai perceber e invariavelmente lembro-me do teste de Turing e dele próprio. É a Alan Turing, génio matemático dotado de uma inteligência multifacetada, que se deve a criação da máquina que, durante a II Guerra Mundial, conseguiu decifrar as comunicações nazis, cifradas pela máquina Enigma, encurtando assim a duração da guerra em pelo menos dois anos e contribuindo para a vitória dos aliados. A história deste processo é-nos contada no livro de banda desenhada O Caso Alan Turing, História Extraordinária e Trágica de um Génio (Ed. Levoir). Mas não é tudo. O livro aborda também a questão da sua homossexualidade, vivida num tempo em que era considerada um crime. Condenado, e em alternativa à prisão, Turing opta por uma tratamento de castração química, acabando por morrer envenenado por cianeto, não se sabendo ao certo se se tratou de um suicídio.
Para além da banda desenhada, o livro inclui ainda uma espécie de anexo, intitulado “Bem-vindos a Bletchley Park”, local onde decorreu o processo de decifração, que nos descreve em termos mais técnicos e com fotografias esse processo, nos dá conta do reconhecimento que obteve posteriormente, e apresenta indicações práticas para quem quiser visitar o lugar. O livro é da autoria de Arnaud Delalande e Éric Liberge e, para não variar, vale mesmo a pena ler, ainda que já se conheça a história deste homem, considerado um pioneiro das ciências da computação e da IA.

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