Ana Teresa Alves
Na ciência, tal como nos outros domínios de ação humana ou tal como simplesmente na vida, quando se alcança algo nem sempre se reconhece publicamente a importância de todos aqueles que contribuíram para que tal acontecesse. Por esquecimento ou descuido, porque um nome é tão grande que apaga todos os outros, por mesquinhez, ou por puro preconceito. O resultado é que muitos nomes nunca chegam a ser conhecidos ou outros só o são mais tarde, muitas vezes postumamente. No que respeita à ciência e às mulheres, tal foi – e certamente que pelo menos em alguns lugares ainda é – muito comum. Em muitos casos, foi preciso resiliência, obstinação, superação e teimosia para iniciarem uma carreira na ciência e, depois, ao longo da mesma, foram vítimas de puro preconceito de género: eram consideradas inferiores ou ignoradas apenas por serem mulheres. É de situações desse tipo que trata o livro O Efeito Matilda, As mulheres cientistas que a História tentou esquecer.
A sua autora, Filipa Almeida Mendes, dá-nos a conhecer o caso de 18 mulheres, entre as quais uma portuguesa – Branca Edmée Marques – que trabalhou com Curie e foi a primeira catedrática de Química em Portugal, a primeira mulher de Einstein – Mileva Marić – e a médica e investigadora francesa Marthe Gautier que foi fundamental na deteção do cromossoma associado à síndrome de Down.
Para além da história das mulheres, o livro explica ainda, entre outros aspetos, a origem do termo “efeito Matilda” e dá-nos conhecer dados estatísticos atuais sobre o número de homens e mulheres a trabalhar em ciência. Para ler, sem dúvida.

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